Após tentativas fracassadas de contratação de unidades produtoras pelo regime de afretamento, a Petrobras considerou o modelo BOT como a melhor solução. As construtoras permaneceriam no negócio por um período de três a cinco anos, até a embarcação ser repassada à estatal
A Petrobras está certa de que vai viabilizar o projeto de Sergipe Águas Profundas (SEAP), considerado prioritário em seu plano estratégico. Após duas tentativas fracassadas de atrair empresas afretadoras nas licitações de dois FPSOs, a estatal optou pelo modelo de contratação BOT (construção, operação e transferência, na sigla em inglês).
“O BOT reduz o investimento, fica por nossa conta, e depois nós mantemos a operação. Me parece que, no momento, vai ser a melhor solução. Já fizemos isso no passado. Creio que, agora, é uma boa oportunidade. Na Guiana, isso também está sendo feito”, disse a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, à Brasil Energia em entrevista exclusiva, também disponível em vídeo. Ela participa do evento ROG.e 2024, o maior do setor de óleo e gás no Brasil.
A executiva ainda afirmou estar muito segura de que a empresa “vai conseguir viabilizar o projeto” na costa de Sergipe, onde espera produzir diariamente 200 milhões de m³ de gás natural. Ela disse, também, que “o prazo [de operação] do BOT é, normalmente, de três a cinco anos, dependendo do contrato” e que esse período de operação das plataformas deve ser adotado na estatal.
A adoção do BOT é uma solução financeira diante da dificuldade das empresas afretadoras de conseguir capital para viabilizar um negócio na casa dos US$ 3 bilhões. Anjos cita especialmente a escassez de crédito na Europa e Ásia. No Brasil, a Petrobras chegou a buscar o Fundo de Marinha Mercante (FMM). Apesar de ter o pedido aprovado, nunca solicitou, de fato, a liberação do dinheiro.
Pelo modelo BOT, a Petrobras libera o pagamento à medida que a construção acontece e, com uma operação mais curta, é menor também o valor a ser financiado pelas fornecedoras.
Outra opção para a estatal seria construir plataformas próprias, no modelo EPC (Engenharia, Suprimento e Construção). Mas, segundo a diretora, “as unidades próprias requerem um grande tempo de preparação no modelo da engenharia”. Já o BOT “reduz o investimento, que fica por nossa conta [Petrobras] e, depois, nós mantemos a operação. Me parece que, no momento, vai ser a melhor solução”, complementou.
Anjos identifica o projeto de SEAP como o segundo maior desafio do segmento de E&P da estatal. O primeiro é a aprovação pelo Ibama da licença ambiental para perfurar na margem equatorial do Amapá.
Além da dificuldade no afretamento para SEAP, há resistência nos bids de FPSOs para a revitalização dos campos de Albacora e Barracuda-Caratinga, na Bacia de Campos. Nos dois casos, novamente, o negócio esbarra no financiamento.
Por Fernanda Nunes